Calem-se já os cães de antemão,
Que é triste e cega esta solidão,
Neste buraco em que me encontro,
É apenas escuridão que defronto,
Zona negra em que me aconchego,
Único sou eu, que a mim me sossego,
Alegria a minha de aqui querer ficar,
Triste cruz que eu por fim decidi carregar
Que me perco por dias de eterna ilusão,
Decidi eu percorrer este destino de imersão,
Que se me fico, finalmente, enfim
Foi ditado que eu agora decidi assim.
Se me cravo em mim palavras mudas,
Decidi tirar das letras teorias desnudas,
Por minha vontade por aqui já fiquei,
De todo o autismo que outrora fitei.
Em pleno toque que nunca te tirei,
Foi triste a sina que eu apaziguei,
Morte certa do que a ti nunca viveu,
Foi do meu querer que assim sobreviveu.
E que aqui eu me disponha por fim,
Pois sempre necessitei de ser assim,
Triste realidade que me tirou a vontade,
Que de me mim já não regresse a ansiedade.
Destino final que me requer última presença,
Neste canto que se torna a mim desavença,
Que eu morro e por fim volto a viver,
Esperança de assim eu me voltar a querer.
Salvador Machado Guerra