Batem as dozes badaladas, há uma almofada,empunho a arma, na cabeça encostada,
dedos no gatilho, sussurros devaneantes,
não sei se dispare, pensamentos redundantes.
Liberto essa raiva, não tenho a certeza,
é hora do fim, em mim esta dura avareza,
eu sei que sou capaz, minha figura expectante,
não tenho dúvidas, jaz negro meu semblante!
Quero fazê-lo, as mãos na balança,
numa hesitação, soltam qualquer aliança,
vou fazê-lo, de culpas me liberto
não duvido, peso que me julgará decerto!
Cubro-te com um lençol, meu corpo a tremer,
olho-te mais uma vez, porque te quero esquecer,
é última despedida, não voltarei a pecar,
fito teu fantasma, estou-te a abandonar!
Nas ruas da amargura, deambulo sem destino,
já sem forças, sou eu que me arruíno,
eu me ajoelho, em mais um trago de absinto,
desisto de mim, um coma que eu já pressinto!
Fecho meu olhar, de alto a minha punição,
acalmo meu respirar, cai em mim minha condição,
solto meus lábios, defendo-me com palavras mudas,
deixo-me, em mim estacas pontiagudas!
