No meu fogo as memórias suspensas,
São soltas em loucuras intensas,
Já se calam os meus desígnios,
Em mim existem poucos raciocínios!
Quando decido olhar para atrás,
há uma dolorosa visão que me traz :
Descanso, como num útero uma criança
inocente e em descansada segurança.
Coros de lágrimas são como gemidos de baleias
que adivinham tempestades de dores alheias,
e é no oceano dos pensamentos trovejantes
que me latejam os sentimentos flamejantes!
Há no chão, pedaços de efémeras ilusões,
e é quando as demais tento varrer
que me perco em comas de várias emoções,
e me deixo ir sem ninguém me socorrer.
Existe no espelho, um sujeito estranho,
sente-se assim, por entre choros sonantes,
é solidão muda e são mágoas lancinantes,
é o tentador alívio sem qualquer tamanho.
No céu escuro persiste tamanha expressão
fito o que me parece ser um lago sem emoção,
nele estou à tona, em paz, afogado,
tela que não me deixa sequer indignado.
Achei que não não podia ser fraco,
porque quando morri voltei a renascer,
mais vivo e consciente do que posso ser,
e no fim das cinzas ainda mais opaco.
Todos os dias persisto em me procurar
pois no final do dia não foi a ti que perdi,
por mais que me procure não me vou encontrar,
à noite no lago em que me deixei e despi!
Jovem autor viseense que escapa entre palavras desde os 14 anos. Tem como maior influência José Régio.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
domingo, 24 de setembro de 2017
Quando As Cortinas Se Fecham
Quando as cortinas se fecham
Persistem as memórias que me mantinham
O tempo que me passa, estou expectante,
Fantasma de mim, que julgo eu irrelevante
Guardo pensamentos de semblante,
Do que quero que ainda seja importante
Do que foste e me deixaste ficar,
Acreditei que tudo não está para terminar.
Desde que partiste que não fui mais,
minutos e outros momentos são agora banais
Quis eu tudo deixar por fim fugir,
promessas que nunca quis desistir.
Quando no peito, sinais em lágrimas desenho,
arrependimentos cismados do que desempenho,
Não queria que a vida fosse assim,
Apenas que esse dito traçasse algo em mim.
O livre destino preso em regras de orgulho,
Em algum sentido que antevejo o que torturo,
Algo me deixa neste fogo e não é visto,
terno o sentimento que, quando solto, acho risco.
Espectro do que poderíamos vir a ser,
frases ténues que continuo a obedecer
poeira de delírios que me deixa em aconchego,
que se livra de mim todo o desassossego.
Fecham as cortinas do que espero,
Na frigidez do que eu ambiciono e quero,
Corticóides e delírios de quem sonha
De tudo mais e algo que me componha!
Tento ser bravo por caminhos que desconheço,
De joelhos a pagar chagas a todo o preço,
Dentro de mim já não vejo por entre lágrimas,
As quais nunca quiseram ser paradigmas!
Mas por dentro, por dentro eu apodreço,
Espectro do que eu vivo e enlouqueço,
por entre sonhos que nunca mais quis mirar,
quiseram os pirilampos a luz acordar.
Volto o envolto, profecias desenhadas,
quero e mais quero promessas cobradas,
infinito do que penso e mais repenso,
que me deixa, e quero que deixe, em suspenso.
Fixo o ontem como se amanhã mais uma vez fosse,
Do passado que ainda não me larga e me acosse,
Em vez alguma quis que hoje acordasse assim,
Nem num novo despertar quero ter o mesmo fim.
Julgo enfim ter, no que aponto, algum sentido,
que na vida e na morte nunca fiquei ressentido,
soltos os ditos que liberto sem nunca perceber,
Menos sentido faz eu continuar em mim ser!
Persistem as memórias que me mantinham
O tempo que me passa, estou expectante,
Fantasma de mim, que julgo eu irrelevante
Guardo pensamentos de semblante,
Do que quero que ainda seja importante
Do que foste e me deixaste ficar,
Acreditei que tudo não está para terminar.
Desde que partiste que não fui mais,
minutos e outros momentos são agora banais
Quis eu tudo deixar por fim fugir,
promessas que nunca quis desistir.
Quando no peito, sinais em lágrimas desenho,
arrependimentos cismados do que desempenho,
Não queria que a vida fosse assim,
Apenas que esse dito traçasse algo em mim.
O livre destino preso em regras de orgulho,
Em algum sentido que antevejo o que torturo,
Algo me deixa neste fogo e não é visto,
terno o sentimento que, quando solto, acho risco.
Espectro do que poderíamos vir a ser,
frases ténues que continuo a obedecer
poeira de delírios que me deixa em aconchego,
que se livra de mim todo o desassossego.
Fecham as cortinas do que espero,
Na frigidez do que eu ambiciono e quero,
Corticóides e delírios de quem sonha
De tudo mais e algo que me componha!
Tento ser bravo por caminhos que desconheço,
De joelhos a pagar chagas a todo o preço,
Dentro de mim já não vejo por entre lágrimas,
As quais nunca quiseram ser paradigmas!
Mas por dentro, por dentro eu apodreço,
Espectro do que eu vivo e enlouqueço,
por entre sonhos que nunca mais quis mirar,
quiseram os pirilampos a luz acordar.
Volto o envolto, profecias desenhadas,
quero e mais quero promessas cobradas,
infinito do que penso e mais repenso,
que me deixa, e quero que deixe, em suspenso.
Fixo o ontem como se amanhã mais uma vez fosse,
Do passado que ainda não me larga e me acosse,
Em vez alguma quis que hoje acordasse assim,
Nem num novo despertar quero ter o mesmo fim.
Julgo enfim ter, no que aponto, algum sentido,
que na vida e na morte nunca fiquei ressentido,
soltos os ditos que liberto sem nunca perceber,
Menos sentido faz eu continuar em mim ser!
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