Em silêncio aguardo pelo que me resta,
palavras gélidas que fito por uma fresta,
sol escondido que impulsivamente quero afugentar,
pois é no abrigo da noite que me quero afogar!
Em silêncio uivo a loucura muda e desnuda,
fito o olhar do demo, a quem procuro ajuda,
que me atente à carne e ao vinho, sou submisso,
perco o alado, nele me alimento, bastante remisso!
Em silêncio quero manter meu sentimento,
apenas procuro em tom de toque, meu alimento,
em lábios de graça que me digam que sou algo,
e que nada sou, ou justamente sou afinal valgo
Em silêncio sou o que sou sem nada querer ser,
depois de muitas vezes eu me tentar viver,
tento ser aquilo que ainda não me decidi a existir,
e hei-de lá chegar sem nunca a tal me permitir!
Em silêncio esquartejo este estado de espirito,
a mentira do que me coloquei a ser no restrito,
do aparentar ser a força e a torre que não tomba,
da consciência que estava a armar uma bomba!
Em silêncio aguardo pelo que me resta,
luta contra o tempo, aguardo já pela besta,
grão a grão um punhado, queimo o que penso,
no chão um suspiro derramado, comigo por fim tenso!

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