Silêncio, entre o desespero da noite,
Há palavras que a mim são um açoite,
Pois eu, que vos quero sempre a bem,
Me perdi entre olhares que me fitam também.
Deserto, vazio que já em mim se propaga,
Nulo de sentimentos, que há muito se me apaga,
Pois eu, que sempre que me tento endireitar,
Acabo sempre no fim, órfão,por me desorientar.
Sem sabor, o que a mim já não existe,
Recalcamento de vivências que persiste,
Pois eu, talvez, que quando quero viver,
Me encontro sem rumo e me acabo por perder.
A morte, que nunca em vez alguma ansiei,
me faça pensar em ditos que nunca jurei,
Pois eu, que se me acudo sem me tentar,
Passei a minha vida sem sequer me perdoar.
A dor, que em mim foi bastante cravada,
É de uma triste glória que é relembrada,
Pois eu... que a ti já me ajoelhei,
Mas a felicidade nunca encontrei....

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