Silêncio, entre o desespero da noite,
Há palavras que a mim são um açoite,
Pois eu, que vos quero sempre a bem,
Me perdi entre olhares que me fitam também.
Deserto, vazio que já em mim se propaga,
Nulo de sentimentos, que há muito se me apaga,
Pois eu, que sempre que me tento endireitar,
Acabo sempre no fim, órfão,por me desorientar.
Sem sabor, o que a mim já não existe,
Recalcamento de vivências que persiste,
Pois eu, talvez, que quando quero viver,
Me encontro sem rumo e me acabo por perder.
A morte, que nunca em vez alguma ansiei,
me faça pensar em ditos que nunca jurei,
Pois eu, que se me acudo sem me tentar,
Passei a minha vida sem sequer me perdoar.
A dor, que em mim foi bastante cravada,
É de uma triste glória que é relembrada,
Pois eu... que a ti já me ajoelhei,
Mas a felicidade nunca encontrei....
Jovem autor viseense que escapa entre palavras desde os 14 anos. Tem como maior influência José Régio.
domingo, 8 de outubro de 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Não É Um Lago, É Um Oceano
No meu fogo as memórias suspensas,
São soltas em loucuras intensas,
Já se calam os meus desígnios,
Em mim existem poucos raciocínios!
Quando decido olhar para atrás,
há uma dolorosa visão que me traz :
Descanso, como num útero uma criança
inocente e em descansada segurança.
Coros de lágrimas são como gemidos de baleias
que adivinham tempestades de dores alheias,
e é no oceano dos pensamentos trovejantes
que me latejam os sentimentos flamejantes!
Há no chão, pedaços de efémeras ilusões,
e é quando as demais tento varrer
que me perco em comas de várias emoções,
e me deixo ir sem ninguém me socorrer.
Existe no espelho, um sujeito estranho,
sente-se assim, por entre choros sonantes,
é solidão muda e são mágoas lancinantes,
é o tentador alívio sem qualquer tamanho.
No céu escuro persiste tamanha expressão
fito o que me parece ser um lago sem emoção,
nele estou à tona, em paz, afogado,
tela que não me deixa sequer indignado.
Achei que não não podia ser fraco,
porque quando morri voltei a renascer,
mais vivo e consciente do que posso ser,
e no fim das cinzas ainda mais opaco.
Todos os dias persisto em me procurar
pois no final do dia não foi a ti que perdi,
por mais que me procure não me vou encontrar,
à noite no lago em que me deixei e despi!
São soltas em loucuras intensas,
Já se calam os meus desígnios,
Em mim existem poucos raciocínios!
Quando decido olhar para atrás,
há uma dolorosa visão que me traz :
Descanso, como num útero uma criança
inocente e em descansada segurança.
Coros de lágrimas são como gemidos de baleias
que adivinham tempestades de dores alheias,
e é no oceano dos pensamentos trovejantes
que me latejam os sentimentos flamejantes!
Há no chão, pedaços de efémeras ilusões,
e é quando as demais tento varrer
que me perco em comas de várias emoções,
e me deixo ir sem ninguém me socorrer.
Existe no espelho, um sujeito estranho,
sente-se assim, por entre choros sonantes,
é solidão muda e são mágoas lancinantes,
é o tentador alívio sem qualquer tamanho.
No céu escuro persiste tamanha expressão
fito o que me parece ser um lago sem emoção,
nele estou à tona, em paz, afogado,
tela que não me deixa sequer indignado.
Achei que não não podia ser fraco,
porque quando morri voltei a renascer,
mais vivo e consciente do que posso ser,
e no fim das cinzas ainda mais opaco.
Todos os dias persisto em me procurar
pois no final do dia não foi a ti que perdi,
por mais que me procure não me vou encontrar,
à noite no lago em que me deixei e despi!
domingo, 24 de setembro de 2017
Quando As Cortinas Se Fecham
Quando as cortinas se fecham
Persistem as memórias que me mantinham
O tempo que me passa, estou expectante,
Fantasma de mim, que julgo eu irrelevante
Guardo pensamentos de semblante,
Do que quero que ainda seja importante
Do que foste e me deixaste ficar,
Acreditei que tudo não está para terminar.
Desde que partiste que não fui mais,
minutos e outros momentos são agora banais
Quis eu tudo deixar por fim fugir,
promessas que nunca quis desistir.
Quando no peito, sinais em lágrimas desenho,
arrependimentos cismados do que desempenho,
Não queria que a vida fosse assim,
Apenas que esse dito traçasse algo em mim.
O livre destino preso em regras de orgulho,
Em algum sentido que antevejo o que torturo,
Algo me deixa neste fogo e não é visto,
terno o sentimento que, quando solto, acho risco.
Espectro do que poderíamos vir a ser,
frases ténues que continuo a obedecer
poeira de delírios que me deixa em aconchego,
que se livra de mim todo o desassossego.
Fecham as cortinas do que espero,
Na frigidez do que eu ambiciono e quero,
Corticóides e delírios de quem sonha
De tudo mais e algo que me componha!
Tento ser bravo por caminhos que desconheço,
De joelhos a pagar chagas a todo o preço,
Dentro de mim já não vejo por entre lágrimas,
As quais nunca quiseram ser paradigmas!
Mas por dentro, por dentro eu apodreço,
Espectro do que eu vivo e enlouqueço,
por entre sonhos que nunca mais quis mirar,
quiseram os pirilampos a luz acordar.
Volto o envolto, profecias desenhadas,
quero e mais quero promessas cobradas,
infinito do que penso e mais repenso,
que me deixa, e quero que deixe, em suspenso.
Fixo o ontem como se amanhã mais uma vez fosse,
Do passado que ainda não me larga e me acosse,
Em vez alguma quis que hoje acordasse assim,
Nem num novo despertar quero ter o mesmo fim.
Julgo enfim ter, no que aponto, algum sentido,
que na vida e na morte nunca fiquei ressentido,
soltos os ditos que liberto sem nunca perceber,
Menos sentido faz eu continuar em mim ser!
Persistem as memórias que me mantinham
O tempo que me passa, estou expectante,
Fantasma de mim, que julgo eu irrelevante
Guardo pensamentos de semblante,
Do que quero que ainda seja importante
Do que foste e me deixaste ficar,
Acreditei que tudo não está para terminar.
Desde que partiste que não fui mais,
minutos e outros momentos são agora banais
Quis eu tudo deixar por fim fugir,
promessas que nunca quis desistir.
Quando no peito, sinais em lágrimas desenho,
arrependimentos cismados do que desempenho,
Não queria que a vida fosse assim,
Apenas que esse dito traçasse algo em mim.
O livre destino preso em regras de orgulho,
Em algum sentido que antevejo o que torturo,
Algo me deixa neste fogo e não é visto,
terno o sentimento que, quando solto, acho risco.
Espectro do que poderíamos vir a ser,
frases ténues que continuo a obedecer
poeira de delírios que me deixa em aconchego,
que se livra de mim todo o desassossego.
Fecham as cortinas do que espero,
Na frigidez do que eu ambiciono e quero,
Corticóides e delírios de quem sonha
De tudo mais e algo que me componha!
Tento ser bravo por caminhos que desconheço,
De joelhos a pagar chagas a todo o preço,
Dentro de mim já não vejo por entre lágrimas,
As quais nunca quiseram ser paradigmas!
Mas por dentro, por dentro eu apodreço,
Espectro do que eu vivo e enlouqueço,
por entre sonhos que nunca mais quis mirar,
quiseram os pirilampos a luz acordar.
Volto o envolto, profecias desenhadas,
quero e mais quero promessas cobradas,
infinito do que penso e mais repenso,
que me deixa, e quero que deixe, em suspenso.
Fixo o ontem como se amanhã mais uma vez fosse,
Do passado que ainda não me larga e me acosse,
Em vez alguma quis que hoje acordasse assim,
Nem num novo despertar quero ter o mesmo fim.
Julgo enfim ter, no que aponto, algum sentido,
que na vida e na morte nunca fiquei ressentido,
soltos os ditos que liberto sem nunca perceber,
Menos sentido faz eu continuar em mim ser!
domingo, 1 de janeiro de 2017
Em Silêncio
Em silêncio aguardo pelo que me resta,
palavras gélidas que fito por uma fresta,
sol escondido que impulsivamente quero afugentar,
pois é no abrigo da noite que me quero afogar!
Em silêncio uivo a loucura muda e desnuda,
fito o olhar do demo, a quem procuro ajuda,
que me atente à carne e ao vinho, sou submisso,
perco o alado, nele me alimento, bastante remisso!
Em silêncio quero manter meu sentimento,
apenas procuro em tom de toque, meu alimento,
em lábios de graça que me digam que sou algo,
e que nada sou, ou justamente sou afinal valgo
Em silêncio sou o que sou sem nada querer ser,
depois de muitas vezes eu me tentar viver,
tento ser aquilo que ainda não me decidi a existir,
e hei-de lá chegar sem nunca a tal me permitir!
Em silêncio esquartejo este estado de espirito,
a mentira do que me coloquei a ser no restrito,
do aparentar ser a força e a torre que não tomba,
da consciência que estava a armar uma bomba!
Em silêncio aguardo pelo que me resta,
luta contra o tempo, aguardo já pela besta,
grão a grão um punhado, queimo o que penso,
no chão um suspiro derramado, comigo por fim tenso!
palavras gélidas que fito por uma fresta,
sol escondido que impulsivamente quero afugentar,
pois é no abrigo da noite que me quero afogar!
Em silêncio uivo a loucura muda e desnuda,
fito o olhar do demo, a quem procuro ajuda,
que me atente à carne e ao vinho, sou submisso,
perco o alado, nele me alimento, bastante remisso!
Em silêncio quero manter meu sentimento,
apenas procuro em tom de toque, meu alimento,
em lábios de graça que me digam que sou algo,
e que nada sou, ou justamente sou afinal valgo
Em silêncio sou o que sou sem nada querer ser,
depois de muitas vezes eu me tentar viver,
tento ser aquilo que ainda não me decidi a existir,
e hei-de lá chegar sem nunca a tal me permitir!
Em silêncio esquartejo este estado de espirito,
a mentira do que me coloquei a ser no restrito,
do aparentar ser a força e a torre que não tomba,
da consciência que estava a armar uma bomba!
Em silêncio aguardo pelo que me resta,
luta contra o tempo, aguardo já pela besta,
grão a grão um punhado, queimo o que penso,
no chão um suspiro derramado, comigo por fim tenso!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Bipolar
Batem as dozes badaladas, há uma almofada,empunho a arma, na cabeça encostada,
dedos no gatilho, sussurros devaneantes,
não sei se dispare, pensamentos redundantes.
Liberto essa raiva, não tenho a certeza,
é hora do fim, em mim esta dura avareza,
eu sei que sou capaz, minha figura expectante,
não tenho dúvidas, jaz negro meu semblante!
Quero fazê-lo, as mãos na balança,
numa hesitação, soltam qualquer aliança,
vou fazê-lo, de culpas me liberto
não duvido, peso que me julgará decerto!
Cubro-te com um lençol, meu corpo a tremer,
olho-te mais uma vez, porque te quero esquecer,
é última despedida, não voltarei a pecar,
fito teu fantasma, estou-te a abandonar!
Nas ruas da amargura, deambulo sem destino,
já sem forças, sou eu que me arruíno,
eu me ajoelho, em mais um trago de absinto,
desisto de mim, um coma que eu já pressinto!
Fecho meu olhar, de alto a minha punição,
acalmo meu respirar, cai em mim minha condição,
solto meus lábios, defendo-me com palavras mudas,
deixo-me, em mim estacas pontiagudas!
sábado, 3 de dezembro de 2016
Quando Apaguei A Luz Já Era Quase De Dia
Na corda onde me entrosei, foi só uma coisa que eu ansiei...
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A cada sussurro dos ponteiros do relógio...
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A morte.
A cada sussurro dos ponteiros do relógio...
A morte.
Pecado
abutres em torno de carne em putrefacção,
aberto o prazer deslavado e abandonado,
à chuva que cai neste corpo atrocidado,
que já não é santa a Maria encarnada,
e não foi o destino que lhe armou cilada!
Podre a invisibilidade colocada no fusto,
que do seu prazer apenas ficou o susto,
saboroso o ventre entre dedos entrelaçados
cospe o vento nos seus ossos quebrados.
As velas, são o fim pedido ao vento,
barulho forte no delicado Crisântemo,
aspira-se seu sujo aroma a suores de desejo,
neste seu berço houve gracioso despejo!
Vestal que desejava sentir o orvalho,
fugas na noite em que perdeu o agasalho,
em seus lábios houve sinais de olhares perdidos,
soltaram-se dentes ansiosos por fel e mel.
Fugiu sem parar da morte que há muito a fitava
tornou a sede de sangue que não a abandonava,
quis o desespero que bebesse do proibido cálice
e no seu escuro interior sentisse longo córtice,
volto ao seu toque de dormências invejadas,
na sua face há mil e uma cruzes cravejadas!
A Himeros vendeu a alma por doze badaladas,
doce assalto que lhe torna as armas empunhadas,
a espada da justiça já atravessou o pecado,
condenou a culpada a eterno movimento desalmado,
pois é no movimento perpétuo que se vê sinceridade
entre desolhares que gritam ambiguidade!
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