Desceu o tenebre pecado latejado
de um frio desejo carnificado,
da vida fria que lhe havia rodeado
uma tentação de quem jaz queimado,
de quem paz aos inocentes roubou,
insaciavelmente as entranhas violou
dos sufocados virgens com quem penetrou,
até ao orgasmo que nos encerrou.
E quem o mudo choro das crianças sente,
é queimado sobre o calmo altar de Dante,
eis então a derradeira caminhada errante
sem julgadmento destruída de rompante
E depois do agudo grito sem fim
Na revolta da horda do sentimento
a quem a morte sorriu felizmente,
- foi a a mim... -
Depois do louco uivo assustador,
o término de um sacro turtor
tentam elas viver já sem fugor,
foram as filhas vítimas da dor.
Que nesta infeliz e fria madrugada,
já os sussurros aguardam melhor alvorada
livre de alguma memória desassossegada,
liberta e para sempre enterrada.
É ultima e terminada a revolta,
cerram-se olhares de quem já não volta
em felicidade um adeus se envolta
daqueles a quem um gesto não se solta.
Pois foi depois do agudo grito sem fim
Quem um duro e aliviante adeus ferveu,
a quem a dor e alegria faleceu,
- foi a mim...-
Salvador Machado Guerra
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