quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Túmulo

Neste meu túmulo que me olham de cima,
esqueletos desertos que não fazem mínima,
rodeado de covas e crueldade que é sádica,
ja a lembrança de mim se torna esporádica!

Quando o sussuro do silêncio me falou
deixei em mim quem de mim nunca decifrou,
sufoco que me atormenta friamente a palavra,
debaixo de um olhar de quem em mim não lavra.

Paro, penso, repenso e temo o pensamento,
que nesta escuridão é duro este tormento,
este nevoeiro que me pega e me desgraça,
torna-se-me a mim a noite que é devassa!

Olhei na minha frente a fonte perdida
de quem jorra fel de profunda ferida,
que me fundamento em inábil desespero,
neste viver que azedamente tempero!

Putrefacta a vida que não desiste,
e em mim, olhar em frente assim insiste,
quando já há muito devia tentar perder
o mundo que a mim me fez tudo esquecer

Salvador Machado Guerra

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