Monólogo
Bateram-me à porta, abri, estava escuro,
beijou-me a brisa e eu me senti obscuro,
ninguém estava...
comigo discursei, entristecido pela figura
neste coração que, estúpido, ainda perdura.
Quanto mais eu vivo, mais eu desejo morrer,
porque esta vida me trai e daí anseio perecer,
porque deixa de fazer sentido tudo o que fiz,
toda a vida que me passou e que afinal nada me diz!
Que a força que eu assimilei e tudo o que desejei,
não passou de uma triste ilusão que eu desenhei,
é triste esta razão que começou a deixar de o ser,
RAIVA de mim que me deixei, idiota, falecer!
Esta conversa que é tão interessante!
Que me quero e te quero neste instante,
que me tocas e de longe te quero ver,
pois neste momento me senti a morrer!
Monólogo desta irreal desumanidade,
nunca pensei passear por tal atrocidade,
que me ajoelho, desespero e penso...
puta de de vida que finalmente me torna tenso!
Choro, com grande resistência, o que sou,
tudo o que ganhei e ultrapassei, destroçou!
Sou o que fui, mera e sôfrega imagem
de quem nunca pensou voltar a esta passagem!
Sem demasiadas mentiras e ilusões...
foi em sonhos que afugentei tais ações,
sonhos reais que me quiseram para o fundo atirar,
de quem tem força mas se deixa, por fim, afogar...
Salvador Machado Guerra
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