quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Chamaram?

Parece que ouvi o meu nome,
não, estava a sonhar a fome,
por entre tristezas e dissabores,
fome de sentir os teus louvores,
não os sinto, nem a chama,
a força que o coração proclama,
sinto a tristeza e a solidão
mas essas nunca foram em vão,
são o abrigo de quem desespera
e eu desesperei à tua espera,
era de noite, a vida esquecia,
sou agora o que fui, amanhã não o serei,
serei a memória que nunca realizei,
não te chamo, te esqueço,
porque assim o mereço,
retalho do que sonhaste
pois não fui o que esperaste,
nem nunca o quis ser,
nem quero, prefiro cair e perder,
quero que me esperem assim
e é esse o meu fim.
Não corro, nem vou, mantenho-me, sou!
Não caio, nem mergulho, continuo, vou!
Fui! Não sou, nem vou! Fico!
Reflexo imaginário do que pratico,
assim, perdido no meu canto,
inviolavél, perante a vida desconcertante,
perdido... ouvindo as lágrimas a cair,
olhando debaixo o céu que deixou de sorrir,
no canto, vítima do desejo insaciavél
procurando a porta da saída, impenetravél!
Parece que ouvi o meu nome...
Não... foi engano...

Salvador Machado Guerra

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