De quem rasteja que me remove o coração,
nesta epístola sem qualquer razão
pois cedo me cedo à já tardia Hamartina
que me levou de certame à rotina,
revolta que me laqueia o grito insano,
preto e branco lambido em sangue puritano,
que saco deste lânguido pensamento de dor
e com este pensamento desenho traço de furor
neste meu peito tremido e cansado
e me foge o deleite vermelho revoltado,
sacrifício dedicado às Moiras desmedidas,
divertidas em abrir novas e profundas feridas.
Que salto em nirvana por campos inexistentes
entre toques de ternura de ideias doentes,
punhos cerrados na traqueia que adormece,
pena capital que não nega e nem desvanece,
cérebro que desiste e dificilmente pega
e coração que bate com mais raiva cega,
quanto mais funda a ferida pior a saída,
mais fria e incoerente vingança servida.
A sós com o meu pensamento me entranho
na putrefacção de um todo estranho
corrompedor de gestos simples e medidos
na contenção de entusiasmos não oferecidos.
Nesta louca e terna loucura que me assombro,
ao velhor olhar de rompante que arrombo
do tronco a fúria descrita em grito rouco,
os inocentes crimes que souberam a pouco,
junto aquele toque que me apertou a visão,
ceguez abrupta que me aperta o coração,
sufoco que a mão me estende no turvado
que nos infernos me deleito só e curvado,
embebedado no meu fel e áspero hálito
alegre este meu arrastado hábito,
perturbado em aspirações que não concretizam
e que à minha insignificância se enfatizam.
Salvador Machado Guerra
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